O EIXO VIII, semestre onde realizei o estágio curricular, me ofereceu a oportunidade de conhecer e de vivenciar a rotina de uma sala de aula.
No estágio, experienciei da sensação de conviver com pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas... Eram diferentes quando optavam por esta ou aquela cor de papel, mas eram iguais quanto ao entusiasmo pela confecção da dobradura. Eram diferentes quando descreviam as suas dificuldades, mas eram iguais quanto a curiosidade pelo novo. Eram diferentes fisicamente, mas dentro de cada um deles era latente a vontade de aprender.
Também foi no estágio que me deparei com uma situação que, a princípio, me causou apenas estranheza e depois curiosidade: como acontece o aprendizado de um aluno tímido? Terá ele dificuldades para aprender? Será melhor respeitar sua personalidade ou buscar pela sua participação em sala de aula? Como a escola pode colaborar para a sociabilidade do aluno tímido?
Foram com estas indagações que iniciei meu TCC, e é na busca por estas respostas que venho me dedicando exaustivamente nos últimos 2 meses. Considero este aluno o evocador de minha pesquisa de TCC, pois foi do seu comportamento reservado e pouco participativo que surgiu o meu interesse por saber mais sobre como seria seu aprendizado.
Nesta “altura do campeonato” tenho condições de refletir sobre algumas certezas que eu tinha inicialmente e que não se confirmaram ao longo da pesquisa. Uma delas era a de que o aluno tímido ficava em “desvantagem” por optar não participar de atividades de sala de aula. Pensava inicialmente que esta desvantagem poderia inclusive comprometer seu aprendizado.
Minhas pesquisas me fizeram concluir que o aluno tímido é um aprendiz reflexivo, e, portanto aprende melhor agindo mentalmente e não fisicamente. Felder e Silverman (1988), dois autores que fundamentam minha pesquisa, classificam os alunos a dois tipos distintos de aprendizes – Ativos e reflexivos. “Os aprendizes ativos, tendem a compreender e reter melhor a informação trabalhando de modo ativo, agindo sobre algo – discutindo e aplicando a informação ou explicando-a para os outros, tendem a gostar mais do trabalho em equipe, têm espírito de liderança. Os aprendizes reflexivos preferem primeiro refletir sobre a informação, observar e analisar o que os outros fazem, e tendem a gostar mais de trabalhar sozinhos.”
Assim seria válido dizer que o aluno tímido não está em desvantagem pelo fato de optar não participar de algumas atividades em sala de aula, pelo contrário, está operando mentalmente e alcançando o seu aprendizado.
Uma outra conclusão que considero de extrema relevância para os que têm algum vínculo com a educação e que conquistei nesta pesquisa, é a de que o aluno tímido precisa ser estimulado a participar sempre em sala de aula, pois é somente nestes momentos que poderá experimentar as suas reais potencialidades e capacidades. Segundo o psicólogo Rene Schubert em entrevista publicada no Uol Ciências e Saúde, em novembro de 2009, “o enfrentamento de situações difíceis e geradoras de ansiedade, é uma das melhores alternativas para se vencer a timidez”. Este estudo reafirma a influencia que a postura do professor tem para o desenvolvimento de um aluno. È equívoco pensar que a melhor para o aluno tímido não participar para não se sentir constrangido, é importante estar sempre instigando sua participação para que ele vença as barreiras da timidez progressivamente.
Estas foram algumas considerações que construí ao longo da minha pesquisa e que representam mudanças significativas na minha forma de pensar e agir em sala de aula frente a um aluno tímido e pouco participativo.
Mostrando postagens com marcador começando o TCC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador começando o TCC. Mostrar todas as postagens
domingo, 31 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
As regras sociais influenciando nosso comportamento
Ao me deparar com as interdisciplinas estudadas no 5º semestre, encontro na interdisciplina de Psicologia da Vida Adulta alguns estudos que se assemelham com minhas pesquisas de TCC.
Minhas leituras e reflexões em busca de “alimento teórico” para amparar meu TCC, me levam a afirmar que a Timidez, enquanto sentimento de inibição e retraimento frente a situações de exposição social, não pode ser considerado como uma “doença”, ou seja, a timidez, não está vinculada a nenhuma patologia, ao contrário, ela é “um instrumento necessário na sociedade em que se vive”. (CLÁUDIO MACIEL E ZUSE).
Isso nos leva a crer que aquelas pessoas que não têm um pouco de timidez são tachadas de inadequadas, pois cometem atos que fogem ao padrão de convívio social. Um pouco de timidez é comum a todas as pessoas normais, mas deve-se ter muito cuidado com a timidez em excesso, quando ela impõe barreiras e limites que impeçam a conquista de objetivos.
Essas conclusões muito se assemelham com estudos proferidos pela interdisciplina de Psicologia da vida adulta, quando afirma que desde que nascemos convivemos com “regras sociais” impostas pelo meio exterior, onde encontramos orientações de como agir, reagir, num determinado momento. E a maturidade nos permite enxergar com mais clareza estas regras impostas pela sociedade, conduzindo com mais veemência nossa conduta social.
Embora atuantes em situações diferentes (na maturidade e nos tímidos), observamos as “regras sociais” influenciando nossas ações no nosso dia a dia. Para o tímido, a inadequação social é inaceitável, e na busca por uma postura coerente, torna-se extremamente exigente consigo mesmo, enquanto que no adulto, estas regras, mais definidas e claras, resultam em posturas mais adequadas ao convívio social.
Minhas leituras e reflexões em busca de “alimento teórico” para amparar meu TCC, me levam a afirmar que a Timidez, enquanto sentimento de inibição e retraimento frente a situações de exposição social, não pode ser considerado como uma “doença”, ou seja, a timidez, não está vinculada a nenhuma patologia, ao contrário, ela é “um instrumento necessário na sociedade em que se vive”. (CLÁUDIO MACIEL E ZUSE).
Isso nos leva a crer que aquelas pessoas que não têm um pouco de timidez são tachadas de inadequadas, pois cometem atos que fogem ao padrão de convívio social. Um pouco de timidez é comum a todas as pessoas normais, mas deve-se ter muito cuidado com a timidez em excesso, quando ela impõe barreiras e limites que impeçam a conquista de objetivos.
Essas conclusões muito se assemelham com estudos proferidos pela interdisciplina de Psicologia da vida adulta, quando afirma que desde que nascemos convivemos com “regras sociais” impostas pelo meio exterior, onde encontramos orientações de como agir, reagir, num determinado momento. E a maturidade nos permite enxergar com mais clareza estas regras impostas pela sociedade, conduzindo com mais veemência nossa conduta social.
Embora atuantes em situações diferentes (na maturidade e nos tímidos), observamos as “regras sociais” influenciando nossas ações no nosso dia a dia. Para o tímido, a inadequação social é inaceitável, e na busca por uma postura coerente, torna-se extremamente exigente consigo mesmo, enquanto que no adulto, estas regras, mais definidas e claras, resultam em posturas mais adequadas ao convívio social.
Marcadores:
começando o TCC,
Eixo V,
Psicologia da vida adulta,
timidez
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
EIXO 3 - Seminário Integrador
As bagagens teóricas trazidas pelo Eixo III que se realacionam com meu tema de pesquisa, são as do Seminário Integrador. Neste Eixo tivemos o primeiro contato com PAs através da atividade “Lançamento de perguntas”. Me recordo como esta atividade despertou o meu interesse ao me levar a resgatar indagações que trouxera desde a minha infância. Muitas delas não manifestadas em sala de aula devido à timidez...
Me questiono no momento se, na época de minha escolarização, eu teria “coragem” de manifestar uma curiosidade durante uma elaboração de PA. Creio que se fosse em pequenos grupos, sem “pressão”, falaria sem problemas. E na medida em que o projeto avançasse nas pesquisas, estaria envolvida, talvez não como porta-voz do grupo, mas como coadjuvante no processo, atuando como investigadora/pesquisadora.
Daí a relevância de se trabalhar com PA em sala de aula, também para a sociabilização do aluno tímido, como uma forma de oportunizar a ele um momento onde possa manifestar seus saberes e curiosidades, muitas vezes obscuros e incertos aos olhos do professor.
Um outro aspecto relevante a ser discutido seria com relação ao professor oferecer uma atenção especial ao aluno tímido no momento em que participa de pequenos grupos. Muitos tímidos demonstram menos retraídos ao serem levados a trabalhar de forma cooperativa porque para ele a exposição é menor e, sendo assim se sente mais a vontade para expor suas ideias e concepções.
Pensando desta forma, assim como atividades lúdicas podem criar melhores condições para o aluno tímido interagir com o grupo de colegas, a elaboração de PAs pode auxiliar na criação de condições onde o aluno se sente mais motivado a manifestar suas curiosidades e indagações.
Me questiono no momento se, na época de minha escolarização, eu teria “coragem” de manifestar uma curiosidade durante uma elaboração de PA. Creio que se fosse em pequenos grupos, sem “pressão”, falaria sem problemas. E na medida em que o projeto avançasse nas pesquisas, estaria envolvida, talvez não como porta-voz do grupo, mas como coadjuvante no processo, atuando como investigadora/pesquisadora.
Daí a relevância de se trabalhar com PA em sala de aula, também para a sociabilização do aluno tímido, como uma forma de oportunizar a ele um momento onde possa manifestar seus saberes e curiosidades, muitas vezes obscuros e incertos aos olhos do professor.
Um outro aspecto relevante a ser discutido seria com relação ao professor oferecer uma atenção especial ao aluno tímido no momento em que participa de pequenos grupos. Muitos tímidos demonstram menos retraídos ao serem levados a trabalhar de forma cooperativa porque para ele a exposição é menor e, sendo assim se sente mais a vontade para expor suas ideias e concepções.
Pensando desta forma, assim como atividades lúdicas podem criar melhores condições para o aluno tímido interagir com o grupo de colegas, a elaboração de PAs pode auxiliar na criação de condições onde o aluno se sente mais motivado a manifestar suas curiosidades e indagações.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Primeiro dia do último do semestre...
Ontem foi o primeiro dia de aula do último semestre do curso superior de Pedagogia UFGRS.
Não sei se sinto alívio ou medo... Alívio por estar próximo do “descanso” nunca antes tão desejado e merecido, com canudo na mão, graduada... medo por ainda ter pela frente um TCC a ser preparado.
Havia decidido pelo tema de meu TCC logo no final do estágio.
Um tema voltado para a ludicidade como facilitador da aprendizagem, especialmente no processo de alfabetização, porém minha orientadora me informou que este tema é considerado “batido” tamanha a sua utilização em TCCs na área da Pedagogia.
Assim venho me dedicando a encontrar um novo foco de pesquisa que me causa tamanho interesse quanto o anterior. Penso que o tema escolhido deve ser algo que nos mova incansavelmente em direção a uma resposta, pois é o interesse que nos alimentará durante este período de pesquisa.
Tenho pensado em muitos temas...e esta noite, já em casa após aula presencial, procurei lembrar de cada momento vivido em meu estágio na presença de meus alunos que fosse pertinente a pesquisa de TCC e, veio em minha mente a imagem de uma menino extremamente tímido (pouquíssimas vezes ouvi a sua voz durante o estágio) e sua dificuldade para alfabetizar-se, mesmo participando de aulas de reforço desde o início do ano.
Bem sabemos que “o diálogo, a verbalização, a troca de idéias ocorridas nas interações sociais são fatores importantes na construção do conhecimento, uma vez que é na interação com o/os outros/s que aprimoramos nossa forma de pensar e agir” (Vygotsky 1984). Assim, me questiono se a timidez, especialmente na escola contemporânea onde se busca mais pela participação ativa do aluno, não será fator decisivo no sucesso ou fracasso escolar das crianças.
Esta questão me tocou em particular porque sempre fui muito reservada na minha infância e adolescência, daquelas que nem ao menos manifestava uma dúvida por vergonha de mostrar-se. Entretanto, eram épocas diferentes, onde ser calado, quieto, era sinônimo de educação e respeito para com o professor, talvez por esta razão, minha timidez não tenha se refletido na minha aprendizagem.
Portanto, “Timidez: um olhar sobre esta problemática na escolarização contemponânea.” seria um novo tema ser pesquisado, claro que este ainda é um “esboço” inicial do que eu quero, e que passará por análises conjuntas com minha orientadora Dóris, me muito me auxiliou durante o estágio.
Enfim, que tenhamos um excelente semestre e que possamos lembrar com alegria deste período de indecisão e ansiedade.
Não sei se sinto alívio ou medo... Alívio por estar próximo do “descanso” nunca antes tão desejado e merecido, com canudo na mão, graduada... medo por ainda ter pela frente um TCC a ser preparado.
Havia decidido pelo tema de meu TCC logo no final do estágio.
Um tema voltado para a ludicidade como facilitador da aprendizagem, especialmente no processo de alfabetização, porém minha orientadora me informou que este tema é considerado “batido” tamanha a sua utilização em TCCs na área da Pedagogia.
Assim venho me dedicando a encontrar um novo foco de pesquisa que me causa tamanho interesse quanto o anterior. Penso que o tema escolhido deve ser algo que nos mova incansavelmente em direção a uma resposta, pois é o interesse que nos alimentará durante este período de pesquisa.
Tenho pensado em muitos temas...e esta noite, já em casa após aula presencial, procurei lembrar de cada momento vivido em meu estágio na presença de meus alunos que fosse pertinente a pesquisa de TCC e, veio em minha mente a imagem de uma menino extremamente tímido (pouquíssimas vezes ouvi a sua voz durante o estágio) e sua dificuldade para alfabetizar-se, mesmo participando de aulas de reforço desde o início do ano.
Bem sabemos que “o diálogo, a verbalização, a troca de idéias ocorridas nas interações sociais são fatores importantes na construção do conhecimento, uma vez que é na interação com o/os outros/s que aprimoramos nossa forma de pensar e agir” (Vygotsky 1984). Assim, me questiono se a timidez, especialmente na escola contemporânea onde se busca mais pela participação ativa do aluno, não será fator decisivo no sucesso ou fracasso escolar das crianças.
Esta questão me tocou em particular porque sempre fui muito reservada na minha infância e adolescência, daquelas que nem ao menos manifestava uma dúvida por vergonha de mostrar-se. Entretanto, eram épocas diferentes, onde ser calado, quieto, era sinônimo de educação e respeito para com o professor, talvez por esta razão, minha timidez não tenha se refletido na minha aprendizagem.
Portanto, “Timidez: um olhar sobre esta problemática na escolarização contemponânea.” seria um novo tema ser pesquisado, claro que este ainda é um “esboço” inicial do que eu quero, e que passará por análises conjuntas com minha orientadora Dóris, me muito me auxiliou durante o estágio.
Enfim, que tenhamos um excelente semestre e que possamos lembrar com alegria deste período de indecisão e ansiedade.
Assinar:
Postagens (Atom)
PORTFÓLIO DE APRENDIZAGENS - UFRGS
Olá, sejam muito bem-vindos ao meu portfólio de aprendizagens...
Este ambiente foi criado com objetivo de registrar as aprendizagens obtidas nas diversas interdisciplinas ao longo deste curso, bem como poder desenvolver o hábito de refletir sobre nossa caminhada e poder transmitir de forma organizada e coerente cada descoberta, agilizando assim o processo de resgate destes registros.
Graduanda: Gislaine Cardoso Aguiar
email: gislainecardosoa@gmail.com
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, oferecendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."
PAULO FREIRE
PAULO FREIRE